Césio Ubirajara Russomanno (São Paulo, 20 de agosto de 1956) é um repórter especializado em defesa do consumidor e político brasileiro. Além de jornalista, é Bacharel em Direito faculdade de direito de Guarulhos, SP. Tornou-se famoso no início dos anos 90 apresentando um quadro no programa jornalístico popularesco Aqui Agora, veiculado no SBT, no qual mediava reclamações de consumidores que se sentiam lesados por empresas de diversos setores. É autor de dois livros e palestrante sobre o tema Defesa do Consumidor. Lançou-se candidato a deputado federal nas eleições de 1994 sendo o candidato mais votado daquele ano.[1] Russomanno é presidente do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor.[2] Atualmente está na Rede Record nos programas Hoje em Dia e Cidade Alerta, onde comanda a Patrulha do Consumidor. Em 2014, foi o candidato a Deputado Federal mais votado do Brasil, tendo a segunda maior votação da história 1.524.286, só perdendo para Enéas Carneiro em 2002.[3] [4] Foi candidato à Prefeitura de Santo André em 2000 e à Prefeitura da Cidade de Sâo Paulo em 2012 e 2016. Nas três oportunidades foi derrotado ainda no primeiro turno.

Biografia

Em 1986, iniciou sua carreira na Rádio Manchete FM, passando em seguida pela Bandeirantes FM, ambas da capital paulista. No ano seguinte estreou na televisão apresentando os programas noturnos "Night Clip" e "Circuito Night and Day" na TV Gazeta, ambos de colunismo social, que duraria dez anos. Em 1991 foi convidado a integrar a equipe de reportagem do programa Aqui Agora, no SBT no qual se especializou em matérias que defendia os consumidores prejudicados. Teve passagem também pelas emissoras CNT, Band e Rede TV!.[5]

Tornou-se candidato a deputado federal em 1994 pelo PSDB, tornando-se naquele ano o deputado mais votado do Brasil.[2]

Carreira política

Em 1985, Russomanno filiou-se ao PFL (atual Democratas), onde permaneceu até 1994, quando se mudou para o PSDB. Ainda neste ano foi eleito deputado federal com 233.482 votos, sendo a maior votação do Brasil. Em 1997, filiou-se ao PPB (atual PP), onde novamente em 1998 foi eleito para seu segundo mandato como deputado federal. Em 2000, candidatou-se à prefeitura de Santo André (SP) pelo PPB, mas foi vencido pelo candidato Celso Augusto Daniel (PT), que obteve 70,1% dos votos válidos.[6]

Celso permaneceu na Câmara dos Deputados até 2010 e foi autor de projetos de leis para a melhoria do Código de Defesa do Consumidor. Em 2010 candidatou-se pelo PP ao Governo de São Paulo, mas acabou terminando em 3° lugar com 1.233.897 votos. Em 2011 desfiliou-se do Partido Progressista devido a desentendimentos com Paulo Maluf e filiou-se ao Partido Republicano Brasileiro (PRB) para disputar a eleição em 2012.[7] Em 2012 lançou-se como candidato pelo PRB à Prefeitura de São Paulo, chegou a ficar em primeiro nas pesquisas, obteve 1.324.021 votos mas acabou perdendo no 1º turno. Foi presidente da Frente Parlamentar da Polícia Federal durante 14 anos no Congresso Nacional. Em 2014, foi novamente candidato a deputado federal, sendo eleito com a segunda maior votação da história: 1.524.286 votos. Está entre os 20 primeiros deputados do Ranking Atlas Político, que leva em conta fatores como representatividade eleitoral, fidelidade partidária, dinheiro gasto na campanha por voto obtido, ativismo legislativo e debate parlamentar.[8]

Em 2016 foi mais uma vez candidato à Prefeitura de São Paulo. Apesar das pesquisas inicialmente apontarem uma liderança isolada de Russomanno, a partir do início do horário eleitoral a sua intenção de votos diminuiu e ele foi mais uma vez derrotado em 1º turno. Retornou ao Congresso Nacional, onde participou da comissão que analisou as 10 Medidas contra corrupção propostas pelo MPF. Solicitou que fosse alterada a medida que tipifica o crime de caixa dois para que punisse somente o administrador da campanha e não o político candidato.[9]

Mandatos eletivos

Televisão

Controvérsias

Acusação de exercício ilegal da advocacia

Segundo a revista Consultor Jurídico, em 1998 Russomanno foi acusado por exercer ilegalmente a advocacia no qual mantinha o serviço "Plantão Jurídico", pelo sistema 0900, em que oferecia pelo telefone uma "orientação dos seus direitos". O serviço custava na época R$ 3,95 por minuto.[10]

Ainda segundo a revista, a denúncia foi registrada por dez subseções da Ordem dos Advogados do Brasil e contemplava os seguintes fatos a cerca de Russomanno:[10]

  • ser bacharel em direito pelas Faculdades Integradas de Guarulhos, mas não ser advogado, uma vez que ele não foi aprovado no exame da Ordem para obter o registro que autoriza o exercício da profissão;
  • ter se apresentado como advogado no repertório biográfico da Câmara dos Deputados;
  • ter praticado aliciamento de clientes, pois a captação de clientes foi feita através de anúncio em que a própria voz do Russomanno se apresentava.

Russomanno não consta no Cadastro Nacional dos Advogados da OAB.[11]

Incor

Em 2002 Celso Russomanno foi acusado de agredir uma funcionária do Instituto do Coração (Incor) e de ter danificado as dependências do hospital, porém foi absolvido desta acusação pelo Supremo Tribunal Federal.[12][13][14]

Acusação de falsidade ideológica

Celso Russomanno tornou-se réu por falsidade ideológica no Supremo Tribunal Federal, acusado pelo Ministério Público Federal de simular contrato de imóvel para mudar seu domicílio eleitoral e assim concorrer à Prefeitura de Santo André, em 2000.[15]

1,1 milhão de reais para ONG

Em 2010 foi autor de uma emenda para destinar 1,1 milhão de reais para uma ONG que preside e administra em conjunto com familiares. A prática de apresentar emendas para parentes é vedada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).[16]

Após a revelação do caso, inicialmente o deputado negou a irregularidade e chegou a ameaçar abrir um processo contra o denunciante caso a reportagem fosse veiculada; porém, em segundo momento, Russomanno informou que iria redirecionar o R$ 1,1 milhão para outras entidades, em lugar da ONG administrada por seus familiares: o Incor e a Faculdade Paulista de Medicina.[17]

Suposto envolvimento com Carlos Cachoeira

Uma gravação interceptada pela Polícia Federal, durante a Operação Monte Carlo, indica que Celso Russomanno estaria relacionado ao esquema operado pela quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira. Um relatório da Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, revelado pelo jornal Correio Braziliense, mostra que Russomanno é citado em diálogo como detentor de sete milhões de reais em uma conta que seria operada pelo grupo do bicheiro.[18]

O candidato Celso Russomanno negou envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira[19] e encaminhou documento à CPI colocando à disposição seus sigilos telefônico, fiscal e bancário.[20]

Processo penal por peculato

Em fevereiro de 2014, Celso Russomanno foi condenado em primeira instância (durante um período em que não possuía foro por prerrogativa de função) pela prática de crime de peculato. A acusação sobre Russomanno consistia em, no exercício do mandato de Deputado Federal, ter usado uma funcionária de seu gabinete, paga pela Câmara, para trabalhar em sua produtora de vídeo em São Paulo, entre 1997 e 2001.[21] Por 3 votos a 2, a 2ª turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, no dia 09 de agosto de 2016, pela absolvição de Celso Russomanno da acusação de peculato.[22]

Ver também

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